sexta-feira, 11 de março de 2016


às vezes parece que tenho tanto pra falar que posso soterrar todos a minha volta com os sons que produzo. e parece que, mesmo se fosse pouco, não há ninguém interessado em escutar qualquer coisa de fato. e não os culpo, não os culpo... "o que tanto quero EU falar? o que tanto preciso expressar? o que tanto EU?"

mas não é só porque quero falar de mimimimim.
queria escutar. queria ser procurada pra ouvidos e troca de ideias. mas não há nada a ser conversado comigo. não há nada de mim a ser conversado.

talvez eu mesma não seja uma boa ouvinte, interlocutora.
queria me bastar.

que patética.

domingo, 11 de outubro de 2015


Quando os remédios não vão mais funcionar. Quando o entendimento dessa frase acontece, dói. E dói intensamente porque tu não é aquela outra pessoa. Ela está sozinha. Está sozinha na própria mente com seus medos, angústias, frustrações. Está sozinha no próprio corpo com suas dores. Tu não pode ir além de si, jamais poderá entender pelo o que a outra passou. Se eu ficar bem quietinha tentando me colocar no lugar dela, vou ficar tão tonta quanto tentar entender como surgiu o universo e todas as coisas. E isso machuca, entende? Machuca saber que alguém que tu ama está sentindo medo. Alguém que tu ama sentirá talvez pavor por deixar de existir. Que viverá uma primeira e única vez uma experência que não poderá compartilhar com mais ninguém.

sábado, 4 de julho de 2015


Meu passado desaparece cada vez que alguém que amo morre.
E se eu nunca mais amar ninguém e se todos que amo morrerem, eu desapareceria completamente com eles.
Algumas pessoas tem esse poder de confirmar a nossa própria existência.

E só quero gritar.

VOCÊ FOI FELIZ?
VALEU A PENA?
POR FAVOR ME DIZ QUE NÃO FOI EM VÃO.

VOCÊ FOI FELIZ?

sábado, 2 de maio de 2015

Velocidade


Eu moro entre milhares de quimômetros da minha família e nunca os vejo com frequência. Nunca nem nos falamos com frequência. A distância entre nós permanece a mesma de quando morávamos na mesma cidade. E não por animosidades, porque a vida é dessa forma, às vezes. Tão perto, tão longe apenas porque sim.

Mas hoje a saudade apertou.

Saudade da minha irmã.

E chorei.

Chorei porque doeu, porque foi triste sentir tal saudade. Porque não são os milhares de quilômetros, nem se falar mais pelo telefone, por celular, pela internet, por cartas. Nada disso. Porque não convivo com ela desde 2008 e, sinceramente, hoje em dia somos estranhas uma para a outra. Eu a amo, mas não a conheço mais tão bem quanto aquela irmã da década de 90. E foi dessa irmã que senti saudades, uma irmã de um espaço e tempo inalcançáveis.

E é isso que dói.

A nostalgia que não é só percorrer todo o caminho de volta, mas o caminho vezes o tempo. Um caminho impossível de ser percorrido.

E é isso que dói.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

O homem tem tudo entre as mãos, e se deixa escapar tudo é porque tem medo... Isso é um axioma... É curioso: de que será que a gente tem mais medo? O que mais receamos é o que nos faz sair de nossos hábitos. Mas estou por aqui a divagar e é por divagar tanto que não faço nada. É verdade que eu poderia alegar esta outra razão: é porque nada faço que divago tanto. (Dostoiévski, Crime e Castigo)

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015


Eu sentiria falta de música erudita.
E daquele horário da tarde em que não existe mais sol, mas ainda existe luz.
Luz suficiente para costurar um botão sem precisar acender as lâmpadas da casa.
Enquanto não existe mais chuva, apenas nuvens cinzas e os pingos que caem das folhagens e telhados.
Quando os pássaros começam a cantar novamente, fazendo coro com alguma sonata ao piano.
E por baixo de tudo, o silêncio.
Disso eu sentiria falta. Uma falta que já me dói.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014


Eu sempre quis o mestrado. Sempre pesquisei uma ou outra coisa. Era um querer meio preguiçoso, chegava até molhar meu pé na beira, mas não ia além disso.
Sempre quis.
Nunca tentei.
Mas dessa vez foi diferente. Pela primeira vez adentrei esse mar até o pescoço, um pouco além, talvez, e passei. Fui aprovada na minha primeira investida verdadeira. Então, pensei que se das outras vezes eu tivesse passado das leituras dos editais, talvez já fosse mestra, talvez doutora.
Talvez, talvez...
Mas também lembro que nunca ia além da curiosidade sobre o processo seletivo porque nunca conseguia me agradar das linhas de pesquisa ofertadas na minha cidade. E nem depois que mudei de cidade. Nada me chamava atenção. O que era um claro sinal de imaturidade, inexperiência?
Ou precisava me aprofundar no desconhecido para descobrir, durante o processo, a paixão pela pesquisa desse algo, ou precisava viver mais um pouco para descobrir o que de fato me atraia antes de tentar. Não vejo uma resposta mais certa que a outra, mas a atual, sem sombra de dúvidas, é a que me cabe perfeitamente.

E estou feliz. Como eu imaginei que ficaria.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014


And now for something completely different.
Muito provavelmente, essa semana, precisarei defender meu projeto de pesquisa.
Somente amanhã ficarei ciente sobre o meu dia e horário.
Gostaria de apresentar logo no primeiro dia programado, essa terça-feira, mas estou bem longe de saber como defender o que pretendo pesquisar - então, oxalá que eu pudesse ser a última.
Não estou muito certa sobre meus objetos e objetivos. E está evidente a minha insegurança quanto a isso. Se ao menos ainda soubesse me vestir com todas as cores cínicas que exigia o meu antigo trabalho...
But now the king is naked.

 

Pessoas que entram na tua vida como efeito colateral de outras pessoas e nunca mais saem. Not in a good way.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014


Eu persisto nessa sensação de que os meus onze anos de idade não passaram. De que todas as minhas outras fases e idades, sim. Mas os onze anos... é como se ele estivesse congelado, existindo em um plano ao lado. E muitas vezes posso me sentir ali e não nesses trinta e poucos. Como se a qualquer momento eu fosse acordar nos onze anos e perceber que todo o resto, o que eu acredito que vivo, foi/é apenas alguma espécie de devaneio.

Na infância, por volta dos oito anos de idade, nos momentos em que a vida parecia contrariar minhas vontades, costumava fechar os olhos e me imaginar adulta. Pensava, quase chorando, "no fundo já sou adulta, isso são apenas lembranças e nada do que estou sentindo agora importa". Talvez eu tenha viajado tantas vezes na minha linha do tempo que, de fato, uma parte possa ter ficado para trás - ou para frente. Talvez meus esquecimentos são sejam frutos de um cérebro preguiçoso, mas de um viajante que pegou atalhos e não sabe muito sobre a paisagem do caminho que se espera dele o conhecimento.
E eu ali, aos onze, devo estar achando todas essas hipóteses ligeiramente incompreensíveis e engraçadas.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014


Eu gosto de observar as pessoas que eu considero como adversários fazendo muito bem aquilo que eu invejo. É o impulso para não me nivelar por baixo.

Eu fico feliz com muito, muito pouco.
Às vezes, me odeio por isso.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014


Invejo quem possui disciplina para os estudos.

Eu não gosto da cor amarela em restaurantes. Da luz amarela, sim, que é perfeita praticamente em todas as ocasiões. Digo, da tinta amarela preguiçosa cobrindo paredes e toalhas de mesa. E o visual de todo o ambiente, com seus cardápios, e placas, e cortinas, e toldos, e detalhes diversos tornando o lugar anêmico, como os sentidos de quem um dia acreditou que usar aquela cor seria uma boa ideia. Ela me tira a fome. Me faz acreditar, sem nenhuma razão bem pensada, que tudo ali é malfeito. O sentimento pessoal de que cor é um assunto realmente sério. E que se não há um nítido cuidado com o assunto, talvez eu não devesse perder meu tempo comendo qualquer coisa ruim em mesas cujas toalhas são tão desprezíveis.

Mas existiu uma época em que eu estava grávida. E era uma segunda gravidez um ano e meio após a primeira. Foi um período bem longo mesmo, quase interminável gestando essas crianças na minha barriga. E isso aconteceu porque não tomei muitos cuidados. Porque quando dizem que você pode engravidar se esquecer do anticoncepcional alguns dias ou que existe alguma pequena chance da pílula do dia seguinte não funcionar, acredite. Essas pessoas talvez estejam exagerando, mas não mentindo.

Então, aconteceu comigo uma segunda vez. Posso me considerar irresponsável, é verdade, sem qualquer culpa ou orgulho. Ter o segundo filho atrapalhou bastante o que eu havia pensado para mim como futuro. O primeiro filho, na verdade, já havia se encarregado disso sozinho. Isso é, se eu tivesse qualquer ambição senão o de manter o meu emprego e ganhar o suficiente para pagar minhas dívidas. Uma vez eu possui medo de morrer, mas ele desapareceu tão logo ficou claro que eu já estava sem vida, enterrada na minha rotina. Pessoas assim não precisam se preocupar com o futuro.

terça-feira, 11 de novembro de 2014


Dá pra se ter uma ideia de qual nível de amizade se possui com uma pessoa, pela ordem em que ela te revela alguma coisa. Se um dos primeiros amigos, ou dos últimos a tomar conhecimento sobre determinada informação. Como um anúncio de gravidez, por exemplo.

domingo, 9 de novembro de 2014


Gostaria de me cercar de pessoas na mesma sintonia.

Nunca senti tanta necessidade de ser boa em alguma coisa. Em fazer por merecer. Ainda que eu não esteja me esforçando tanto quanto a minha vontade.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014


Esse vácuo entre o hoje e as possibilidades do amanhã em que me encontro, por vezes, ganha contornos de autopiedade. Empreender é muito trabalho e pouca grana por um bom período. Usar o pouco desse tempo para tentar um mestrado e, quiçá, uma bolsa, é pedir pra ser sustentada. E, ser sustentada, meus caros e inexistentes leitores, é um grito de dependência humilhante.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014


Há uns cinco anos amargo uma inveja repugnante. Quando me percebo sentindo tal coisa, sinto nojo instantâneo de mim mesma. Me faz uma pessoa pior, em contradição ao quanto evolui e progredi na vida por causa do mesmo sentimento.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014


E esse masoquismo não vai me levar a lugar algum.

Esse sentimento auto-sabotador que martela na minha cabeça dizendo que provavelmente é tarde demais para tentar melhorar...

sexta-feira, 17 de outubro de 2014


Todas as vezes em que arrisquei algo fora da minha linha de mediocridade, escutei minha mãe repetindo "para a gente (nossa família), tudo é mais difícil. Nunca dá certo quando é a nossa vez". O esforço é sempre duplicado e o resultado, muitas vezes, foi a desistência.

Eu simplesmente não aguento mais sofrer dessa mazela.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014


Existe um preço caro na felicidade. É o que se chama de saudade.

Sinto falta dos sentimentos, mas sou incapaz de senti-los novamente.
Sinto apenas a dor de não senti-los mais.

Talvez (voltar a) sentir seja só uma questão de exercício.

Década de 90.


Que desperdício não sentir nada ao escutar uma música que antes vinha embalada em deliciosos e conturbados sentimentos.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014


Há algo de anestésico na felicidade que não impele. Que não ajuda a romper o ventre, que não expulsa o que precisa ver o mundo, o que precisa ser livre. Há algo de anestésico na felicidade que deixa quieto, deixa em paz, deixa morrer em silêncio, apodrece e mata.

É preciso sofrer pra se sentir vivo, às vezes.
Pra sentir que está na hora de dar a luz.