terça-feira, 9 de dezembro de 2014


Eu sempre quis o mestrado. Sempre pesquisei uma ou outra coisa. Era um querer meio preguiçoso, chegava até molhar meu pé na beira, mas não ia além disso.
Sempre quis.
Nunca tentei.
Mas dessa vez foi diferente. Pela primeira vez adentrei esse mar até o pescoço, um pouco além, talvez, e passei. Fui aprovada na minha primeira investida verdadeira. Então, pensei que se das outras vezes eu tivesse passado das leituras dos editais, talvez já fosse mestra, talvez doutora.
Talvez, talvez...
Mas também lembro que nunca ia além da curiosidade sobre o processo seletivo porque nunca conseguia me agradar das linhas de pesquisa ofertadas na minha cidade. E nem depois que mudei de cidade. Nada me chamava atenção. O que era um claro sinal de imaturidade, inexperiência?
Ou precisava me aprofundar no desconhecido para descobrir, durante o processo, a paixão pela pesquisa desse algo, ou precisava viver mais um pouco para descobrir o que de fato me atraia antes de tentar. Não vejo uma resposta mais certa que a outra, mas a atual, sem sombra de dúvidas, é a que me cabe perfeitamente.

E estou feliz. Como eu imaginei que ficaria.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014


And now for something completely different.
Muito provavelmente, essa semana, precisarei defender meu projeto de pesquisa.
Somente amanhã ficarei ciente sobre o meu dia e horário.
Gostaria de apresentar logo no primeiro dia programado, essa terça-feira, mas estou bem longe de saber como defender o que pretendo pesquisar - então, oxalá que eu pudesse ser a última.
Não estou muito certa sobre meus objetos e objetivos. E está evidente a minha insegurança quanto a isso. Se ao menos ainda soubesse me vestir com todas as cores cínicas que exigia o meu antigo trabalho...
But now the king is naked.

 

Pessoas que entram na tua vida como efeito colateral de outras pessoas e nunca mais saem. Not in a good way.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014


Eu persisto nessa sensação de que os meus onze anos de idade não passaram. De que todas as minhas outras fases e idades, sim. Mas os onze anos... é como se ele estivesse congelado, existindo em um plano ao lado. E muitas vezes posso me sentir ali e não nesses trinta e poucos. Como se a qualquer momento eu fosse acordar nos onze anos e perceber que todo o resto, o que eu acredito que vivo, foi/é apenas alguma espécie de devaneio.

Na infância, por volta dos oito anos de idade, nos momentos em que a vida parecia contrariar minhas vontades, costumava fechar os olhos e me imaginar adulta. Pensava, quase chorando, "no fundo já sou adulta, isso são apenas lembranças e nada do que estou sentindo agora importa". Talvez eu tenha viajado tantas vezes na minha linha do tempo que, de fato, uma parte possa ter ficado para trás - ou para frente. Talvez meus esquecimentos são sejam frutos de um cérebro preguiçoso, mas de um viajante que pegou atalhos e não sabe muito sobre a paisagem do caminho que se espera dele o conhecimento.
E eu ali, aos onze, devo estar achando todas essas hipóteses ligeiramente incompreensíveis e engraçadas.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014


Eu gosto de observar as pessoas que eu considero como adversários fazendo muito bem aquilo que eu invejo. É o impulso para não me nivelar por baixo.

Eu fico feliz com muito, muito pouco.
Às vezes, me odeio por isso.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014


Invejo quem possui disciplina para os estudos.

Eu não gosto da cor amarela em restaurantes. Da luz amarela, sim, que é perfeita praticamente em todas as ocasiões. Digo, da tinta amarela preguiçosa cobrindo paredes e toalhas de mesa. E o visual de todo o ambiente, com seus cardápios, e placas, e cortinas, e toldos, e detalhes diversos tornando o lugar anêmico, como os sentidos de quem um dia acreditou que usar aquela cor seria uma boa ideia. Ela me tira a fome. Me faz acreditar, sem nenhuma razão bem pensada, que tudo ali é malfeito. O sentimento pessoal de que cor é um assunto realmente sério. E que se não há um nítido cuidado com o assunto, talvez eu não devesse perder meu tempo comendo qualquer coisa ruim em mesas cujas toalhas são tão desprezíveis.

Mas existiu uma época em que eu estava grávida. E era uma segunda gravidez um ano e meio após a primeira. Foi um período bem longo mesmo, quase interminável gestando essas crianças na minha barriga. E isso aconteceu porque não tomei muitos cuidados. Porque quando dizem que você pode engravidar se esquecer do anticoncepcional alguns dias ou que existe alguma pequena chance da pílula do dia seguinte não funcionar, acredite. Essas pessoas talvez estejam exagerando, mas não mentindo.

Então, aconteceu comigo uma segunda vez. Posso me considerar irresponsável, é verdade, sem qualquer culpa ou orgulho. Ter o segundo filho atrapalhou bastante o que eu havia pensado para mim como futuro. O primeiro filho, na verdade, já havia se encarregado disso sozinho. Isso é, se eu tivesse qualquer ambição senão o de manter o meu emprego e ganhar o suficiente para pagar minhas dívidas. Uma vez eu possui medo de morrer, mas ele desapareceu tão logo ficou claro que eu já estava sem vida, enterrada na minha rotina. Pessoas assim não precisam se preocupar com o futuro.

terça-feira, 11 de novembro de 2014


Dá pra se ter uma ideia de qual nível de amizade se possui com uma pessoa, pela ordem em que ela te revela alguma coisa. Se um dos primeiros amigos, ou dos últimos a tomar conhecimento sobre determinada informação. Como um anúncio de gravidez, por exemplo.

domingo, 9 de novembro de 2014


Gostaria de me cercar de pessoas na mesma sintonia.

Nunca senti tanta necessidade de ser boa em alguma coisa. Em fazer por merecer. Ainda que eu não esteja me esforçando tanto quanto a minha vontade.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014


Esse vácuo entre o hoje e as possibilidades do amanhã em que me encontro, por vezes, ganha contornos de autopiedade. Empreender é muito trabalho e pouca grana por um bom período. Usar o pouco desse tempo para tentar um mestrado e, quiçá, uma bolsa, é pedir pra ser sustentada. E, ser sustentada, meus caros e inexistentes leitores, é um grito de dependência humilhante.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014


Há uns cinco anos amargo uma inveja repugnante. Quando me percebo sentindo tal coisa, sinto nojo instantâneo de mim mesma. Me faz uma pessoa pior, em contradição ao quanto evolui e progredi na vida por causa do mesmo sentimento.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014


E esse masoquismo não vai me levar a lugar algum.

Esse sentimento auto-sabotador que martela na minha cabeça dizendo que provavelmente é tarde demais para tentar melhorar...

sexta-feira, 17 de outubro de 2014


Todas as vezes em que arrisquei algo fora da minha linha de mediocridade, escutei minha mãe repetindo "para a gente (nossa família), tudo é mais difícil. Nunca dá certo quando é a nossa vez". O esforço é sempre duplicado e o resultado, muitas vezes, foi a desistência.

Eu simplesmente não aguento mais sofrer dessa mazela.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014


Existe um preço caro na felicidade. É o que se chama de saudade.

Sinto falta dos sentimentos, mas sou incapaz de senti-los novamente.
Sinto apenas a dor de não senti-los mais.

Talvez (voltar a) sentir seja só uma questão de exercício.

Década de 90.


Que desperdício não sentir nada ao escutar uma música que antes vinha embalada em deliciosos e conturbados sentimentos.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014


Há algo de anestésico na felicidade que não impele. Que não ajuda a romper o ventre, que não expulsa o que precisa ver o mundo, o que precisa ser livre. Há algo de anestésico na felicidade que deixa quieto, deixa em paz, deixa morrer em silêncio, apodrece e mata.

É preciso sofrer pra se sentir vivo, às vezes.
Pra sentir que está na hora de dar a luz.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014


Sonhei que estava grávida de sete meses e resolvia abortar. O procedimento funcionava igual a um parto e, diante do bebezinho, senti pena e tentei ressuscitá-lo através de respiração boca-a-boca. Após algum esforço, porém, ele não resistiu e morreu.