quarta-feira, 19 de novembro de 2014


Eu persisto nessa sensação de que os meus onze anos de idade não passaram. De que todas as minhas outras fases e idades, sim. Mas os onze anos... é como se ele estivesse congelado, existindo em um plano ao lado. E muitas vezes posso me sentir ali e não nesses trinta e poucos. Como se a qualquer momento eu fosse acordar nos onze anos e perceber que todo o resto, o que eu acredito que vivo, foi/é apenas alguma espécie de devaneio.

Na infância, por volta dos oito anos de idade, nos momentos em que a vida parecia contrariar minhas vontades, costumava fechar os olhos e me imaginar adulta. Pensava, quase chorando, "no fundo já sou adulta, isso são apenas lembranças e nada do que estou sentindo agora importa". Talvez eu tenha viajado tantas vezes na minha linha do tempo que, de fato, uma parte possa ter ficado para trás - ou para frente. Talvez meus esquecimentos são sejam frutos de um cérebro preguiçoso, mas de um viajante que pegou atalhos e não sabe muito sobre a paisagem do caminho que se espera dele o conhecimento.
E eu ali, aos onze, devo estar achando todas essas hipóteses ligeiramente incompreensíveis e engraçadas.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014


Eu gosto de observar as pessoas que eu considero como adversários fazendo muito bem aquilo que eu invejo. É o impulso para não me nivelar por baixo.

Eu fico feliz com muito, muito pouco.
Às vezes, me odeio por isso.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014


Invejo quem possui disciplina para os estudos.

Eu não gosto da cor amarela em restaurantes. Da luz amarela, sim, que é perfeita praticamente em todas as ocasiões. Digo, da tinta amarela preguiçosa cobrindo paredes e toalhas de mesa. E o visual de todo o ambiente, com seus cardápios, e placas, e cortinas, e toldos, e detalhes diversos tornando o lugar anêmico, como os sentidos de quem um dia acreditou que usar aquela cor seria uma boa ideia. Ela me tira a fome. Me faz acreditar, sem nenhuma razão bem pensada, que tudo ali é malfeito. O sentimento pessoal de que cor é um assunto realmente sério. E que se não há um nítido cuidado com o assunto, talvez eu não devesse perder meu tempo comendo qualquer coisa ruim em mesas cujas toalhas são tão desprezíveis.

Mas existiu uma época em que eu estava grávida. E era uma segunda gravidez um ano e meio após a primeira. Foi um período bem longo mesmo, quase interminável gestando essas crianças na minha barriga. E isso aconteceu porque não tomei muitos cuidados. Porque quando dizem que você pode engravidar se esquecer do anticoncepcional alguns dias ou que existe alguma pequena chance da pílula do dia seguinte não funcionar, acredite. Essas pessoas talvez estejam exagerando, mas não mentindo.

Então, aconteceu comigo uma segunda vez. Posso me considerar irresponsável, é verdade, sem qualquer culpa ou orgulho. Ter o segundo filho atrapalhou bastante o que eu havia pensado para mim como futuro. O primeiro filho, na verdade, já havia se encarregado disso sozinho. Isso é, se eu tivesse qualquer ambição senão o de manter o meu emprego e ganhar o suficiente para pagar minhas dívidas. Uma vez eu possui medo de morrer, mas ele desapareceu tão logo ficou claro que eu já estava sem vida, enterrada na minha rotina. Pessoas assim não precisam se preocupar com o futuro.

terça-feira, 11 de novembro de 2014


Dá pra se ter uma ideia de qual nível de amizade se possui com uma pessoa, pela ordem em que ela te revela alguma coisa. Se um dos primeiros amigos, ou dos últimos a tomar conhecimento sobre determinada informação. Como um anúncio de gravidez, por exemplo.

domingo, 9 de novembro de 2014


Gostaria de me cercar de pessoas na mesma sintonia.

Nunca senti tanta necessidade de ser boa em alguma coisa. Em fazer por merecer. Ainda que eu não esteja me esforçando tanto quanto a minha vontade.