quarta-feira, 19 de novembro de 2014


Eu persisto nessa sensação de que os meus onze anos de idade não passaram. De que todas as minhas outras fases e idades, sim. Mas os onze anos... é como se ele estivesse congelado, existindo em um plano ao lado. E muitas vezes posso me sentir ali e não nesses trinta e poucos. Como se a qualquer momento eu fosse acordar nos onze anos e perceber que todo o resto, o que eu acredito que vivo, foi/é apenas alguma espécie de devaneio.

Na infância, por volta dos oito anos de idade, nos momentos em que a vida parecia contrariar minhas vontades, costumava fechar os olhos e me imaginar adulta. Pensava, quase chorando, "no fundo já sou adulta, isso são apenas lembranças e nada do que estou sentindo agora importa". Talvez eu tenha viajado tantas vezes na minha linha do tempo que, de fato, uma parte possa ter ficado para trás - ou para frente. Talvez meus esquecimentos são sejam frutos de um cérebro preguiçoso, mas de um viajante que pegou atalhos e não sabe muito sobre a paisagem do caminho que se espera dele o conhecimento.
E eu ali, aos onze, devo estar achando todas essas hipóteses ligeiramente incompreensíveis e engraçadas.

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