domingo, 11 de outubro de 2015


Quando os remédios não vão mais funcionar. Quando o entendimento dessa frase acontece, dói. E dói intensamente porque tu não é aquela outra pessoa. Ela está sozinha. Está sozinha na própria mente com seus medos, angústias, frustrações. Está sozinha no próprio corpo com suas dores. Tu não pode ir além de si, jamais poderá entender pelo o que a outra passou. Se eu ficar bem quietinha tentando me colocar no lugar dela, vou ficar tão tonta quanto tentar entender como surgiu o universo e todas as coisas. E isso machuca, entende? Machuca saber que alguém que tu ama está sentindo medo. Alguém que tu ama sentirá talvez pavor por deixar de existir. Que viverá uma primeira e única vez uma experência que não poderá compartilhar com mais ninguém.

sábado, 4 de julho de 2015


Meu passado desaparece cada vez que alguém que amo morre.
E se eu nunca mais amar ninguém e se todos que amo morrerem, eu desapareceria completamente com eles.
Algumas pessoas tem esse poder de confirmar a nossa própria existência.

E só quero gritar.

VOCÊ FOI FELIZ?
VALEU A PENA?
POR FAVOR ME DIZ QUE NÃO FOI EM VÃO.

VOCÊ FOI FELIZ?

sábado, 2 de maio de 2015

Velocidade


Eu moro entre milhares de quimômetros da minha família e nunca os vejo com frequência. Nunca nem nos falamos com frequência. A distância entre nós permanece a mesma de quando morávamos na mesma cidade. E não por animosidades, porque a vida é dessa forma, às vezes. Tão perto, tão longe apenas porque sim.

Mas hoje a saudade apertou.

Saudade da minha irmã.

E chorei.

Chorei porque doeu, porque foi triste sentir tal saudade. Porque não são os milhares de quilômetros, nem se falar mais pelo telefone, por celular, pela internet, por cartas. Nada disso. Porque não convivo com ela desde 2008 e, sinceramente, hoje em dia somos estranhas uma para a outra. Eu a amo, mas não a conheço mais tão bem quanto aquela irmã da década de 90. E foi dessa irmã que senti saudades, uma irmã de um espaço e tempo inalcançáveis.

E é isso que dói.

A nostalgia que não é só percorrer todo o caminho de volta, mas o caminho vezes o tempo. Um caminho impossível de ser percorrido.

E é isso que dói.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

O homem tem tudo entre as mãos, e se deixa escapar tudo é porque tem medo... Isso é um axioma... É curioso: de que será que a gente tem mais medo? O que mais receamos é o que nos faz sair de nossos hábitos. Mas estou por aqui a divagar e é por divagar tanto que não faço nada. É verdade que eu poderia alegar esta outra razão: é porque nada faço que divago tanto. (Dostoiévski, Crime e Castigo)

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015


Eu sentiria falta de música erudita.
E daquele horário da tarde em que não existe mais sol, mas ainda existe luz.
Luz suficiente para costurar um botão sem precisar acender as lâmpadas da casa.
Enquanto não existe mais chuva, apenas nuvens cinzas e os pingos que caem das folhagens e telhados.
Quando os pássaros começam a cantar novamente, fazendo coro com alguma sonata ao piano.
E por baixo de tudo, o silêncio.
Disso eu sentiria falta. Uma falta que já me dói.